Faltam 1.000 dias para Dias brilhar

Por Paulo Roberto Conde

Estamos a exatos 1.000 dias dos Jogos Paraolímpicos do Rio de Janeiro (de 7 a 18 de setembro de 2016). E, a dois anos e nove meses do evento, a expectativa já recai sobre o maior medalhista brasileiro.O nadador Daniel Dias, 25, foi o carro-chefe da delegação nacional nas últimas duas Paraolimpíadas. Em Pequim-2008, ele saiu com quatro medalhas de ouro; em Londres-2012, conquistou seis. Sempre na sua classe, a S5.

Para o Rio, não deve ser diferente. Espera-se que Dias brilhe na piscina, até para fechar a conta do CPB (Comitê Paraolímpico Brasileiro). A entidade definiu que a meta é pôr o Brasil entre os cinco primeiros da tabela de classificação, um feito inédito.

Nesta entrevista exclusiva ao Olímpicos, o nadador, que nasceu com má formação congênita nos membros superiores e na perna direita, fala da preparação para o megaevento e do movimento paraolímpico.

Daniel Dias comemora vitória nos Jogos Paraolímpicos de Londres-2012 (Lefteris Pitarakis/Associated Press)
Daniel Dias comemora vitória nos Jogos Paraolímpicos de Londres-2012 (Lefteris Pitarakis/Associated Press)

Como está a expectativa para 2016?

A expectativa é das melhores. Competir em casa será algo incrível, que vou levar para a vida toda. Já disputei duas Paraolimpíadas em minha carreira, mas esta será a primeira no Brasil. Posso dizer que sou um privilegiado.

Há críticas à organização dos Jogos do Rio. Na terça-feira, o presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), Thomas Bach, cobrou pressa para concluir instalações. É um assunto que lhe preocupa?

Acho que vamos entregar as obras a tempo. Eu estou tranquilo em relação a isso, e acho que os demais atletas também estão.

Na soma, você ganhou dez medalhas de ouro nos Jogos de Pequim e Londres. Para o Rio, podemos esperar quantos?

Eu não procuro pensar em número de medalhas. Quero planejar tudo corretamente para ir bem. Nem sei quantas provas vou nadar, porque ainda está indefinido na minha categoria. Mas um bom número seriam três ou quatro medalhas.

Você pensa em encerrar a carreira nos Jogos do Rio?

Não, sou muito jovem. Depois do Rio ainda quero continuar. Penso em nadar em Tóquio-2020, mas aí menos provas. Posso melhorar muita coisa, como a técnica do meu nado.

Existe um objetivo de que o Brasil fique no Top 5 do quadro de medalhas. Você acha que isso é possível?

É possível sim. Para estipular uma meta como essa, era preciso ter base. Acho que esse número não veio do nada. Quando eu comecei a nadar, havia pouco investimento. Hoje existe, a coisa mudou muito.