E, por que não dizer?, ao futuro do maior evento esportivo do planeta.
Hamburgo é a segunda maior cidade da Alemanha e, se não era considerada de antemão uma favorita a sediar a competição (Paris e Roma são mais badaladas, digamos), entraria na contenda com força graças à pujança econômica do país e também pelo fato de o atual presidente do COI, Thomas Bach, ser alemão.
Em uma pré-seleção interna realizada em março, Hamburgo havia até mesmo superado Berlim como indicada. Mas nem isto foi suficiente para dissipar as dúvidas sobre o que realmente representa sediar os Jogos Olímpicos atualmente.
Olimpíadas são caras (Sochi-2014 custou quase R$ 200 milhões), de legado incerto (Atenas-2004 tem uma profusão de instalações abandonadas) e promessas infinitas, mas realidade nem sempre tão segura (o que será do Rio-2016, que atualmente tem custo total estimado em cerca de R$ 39 bilhões?).
Os alemães de Hamburgo entenderam isso. Ainda mais agora, em um momento em que pesam sobre diversos órgãos esportivos internacionais suspeitas –e comprovações pesadas.
Leia-se aí o escândalo na cúpula da Fifa, a rede de dopagem estatal na Rússia, a corrupção da IAAF (Associação Internacional das Federações de Atletismo), supostas fraudes nas escolhas das Copas de 2018, 2022, e, agora, até mesmo na da Alemanha-2006.
Em resumo, o esporte está em xeque. Investir em megaeventos é um risco. As pessoas têm se dado conta disso e o COI tem pagado o pato.
Apenas para ilustrar, a corrida para ser sede dos Jogos Olímpicos de 2012 teve nove cidades aplicantes: Paris, Moscou, Londres, Nova York, Madri, Leipzig, Rio, Istambul e Havana.
Destas, quatro foram eliminadas (Havana, Istambul, Rio e Leipzig) e cinco entraram na fase de candidatura, de fato, e foram até a rodada final. Londres acabou eleita em 2005 a sede e promoveu um evento espetacular há pouco mais de três anos.
Para os Jogos de 2016, cujo vencedor foi o Rio, houve outros três finalistas (Madri, Tóquio e Chicago). Para os de 2020, foram três cidades na decisão (Tóquio, Madri e Istambul). Ou seja, o número tem caído a cada ciclo.
Agora, vejamos como fica a corrida para 2024. Com a saída de Hamburgo, são apenas quatro cidades pretendentes –além de Roma e Paris, Budapeste e Los Angeles também são pré-aplicantes.
As remanescentes podem sair, a exemplo dos alemães. A data-limite de inscrição era 15 de setembro deste ano, e a escolha da sede ocorrerá em 2017, em Lima, no Peru.
O risco, altíssimo, é o de acontecer algo similar ao processo de escolha dos Jogos de Inverno de 2022 –Pequim foi eleita. Ao longo da campanha, quatro cidades cancelaram suas candidaturas: Estocolmo (falta de apoio político), Cracóvia (decisão popular), Lviv (crise na Ucrânia) e Oslo (falta de garantias do governo).
Os noruegueses eram os favoritos para ganhar a disputa.
Depois de tantos abandonos, sobraram apenas Pequim e Almaty, no Cazaquistão, em uma das mais constrangedores eleições de sede olímpica. A contragosto, porque seria a segunda Olimpíada de Inverno consecutiva na Ásia (Pyeongchang, na Coreia do Sul, será o palco em 2018), os membros do COI elegeram a capital chinesa.
Em meio a essa desconfiança toda sobre seu maior produto, o COI lançou em dezembro do ano passado a Agenda 2020, uma série de 40 determinações para modernizar o movimento olímpico. Os principais tópicos falam de tornar o processo de escolha e a realização da competição, bilionária, mais sustentável.
A julgar pelo humor do público em relação aos Jogos, 2024 tem tudo para ser um novo estorvo para o comitê olímpico.
]]>“Pierre de Coubertin: Olimpismo – Seleção de Textos”, da editora da PUC-RS, é um colosso de 892 páginas que disseca vida e obra do francês Pierre de Coubertin (1863-1937) –o livro já tinha versões em inglês, alemão, francês e espanhol.
Foi Coubertin que fundou o COI (Comitê Olímpico Internacional) em 1894, criou os Jogos Olímpicos da chamada “era moderna” e cunhou o Olimpismo, a filosofia de vida por meio dos ideais olímpicos e do esporte.
O livro é editado pelo expert alemão Norbert Müller, um dos maiores estudiosos sobre Movimento Olímpico e Coubertin no mundo, e pelo brasileiro Nelson Todt, coordenador do grupo de pesquisa em Estudos Olímpicos da PUC-RS e presidente do Comitê Brasileiro Pierre de Coubertin.
Müller também é presidente do Comitê Internacional Pierre de Coubertin.
O prólogo do livro é assinado pelo atual presidente do COI, o alemão Thomas Bach. Lá pelas tantas, Bach afirma estar certo de “que esta primeira antologia de textos de Coubertin oferecerá novos conhecimentos e novos impulsos ao Movimento Olímpico nos países de língua portuguesa”.
O sobrinho-neto de Coubertin, Geoffroy de Navacelle, também assina texto introdutório da obra.
O lançamento oficial da obra traduzida para o português ocorreu no último sábado (10), em Lisboa. Haverá dois eventos semelhantes no Brasil: no dia 6 de novembro, no Rio, em local a ser definido; e uma semana depois em Porto Alegre, no Museu de Ciências e Tecnologia da capital gaúcha.
Ele não será vendido e tem uma tiragem inicial de 200 exemplares.
A boa notícia é que o livro pode ser lido gratuitamente por meio deste link aqui: http://ebooks.pucrs.br/edipucrs/Ebooks/Pdf/978-85-397-0736-2.pdf
]]>Uma avalanche de denúncias de corrupção abala as estruturas da Fifa e da CBF e mancha a imagem do futebol, esporte número 1 do Brasil, em todo o mundo.
Mas vale lembrar que maracutaias não são privilégios –ou, diríamos, malefícios– dos gramados. O mundo olímpico também ficou escaldado com um imbróglio de enormes proporções ocorrido entre o final do século passado e o início deste.
A crise girou em torno da escolha da cidade-sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2002. Salt Lake City, nos EUA, derrotou a suíça Sion, a sueca Östersund e a canadense Québec para conquistar o direito de receber o megaevento –a eleição ocorreu em 1995.
Três anos depois, em 1998, veio à tona uma bomba sem precedentes: o suíço Marc Hodler, membro do COI (Comitê Olímpico Internacional) e um dos votantes, denunciou pagamento de propina que os líderes da candidatura norte-americana deram aos seus pares em troca de votos.
Entre os presentinhos, eram concedidas bolsas em universidades em Utah, dinheiro, benefícios médicos e até lotes de terra aos membros (ao todo, mais de 70 membros visitaram pessoalmente a cidade).
No total, a candidatura de Salt Lake City torrou cerca de US$ 16 milhões à época na campanha (o que hoje daria quase R$ 50 milhões, a se acrescentar a inflação do período).
Depois que Hodler expôs as manobras, quatro investigações foram abertas: no Departamento de Justiça dos EUA (que agora investiga a Fifa), no Comitê Organizador dos Jogos de Salt Lake, no Comitê Olímpico dos EUA e no próprio COI.
A cúpula do comitê organizador caiu quase que inteiramente. O COI recomendou a expulsão de sete de seus membros: Augustin Arroyo (Equador), Zein Abdel Gadir (Sudão), Jean-Claude Ganga (Congo), Lamine Keita (Mali), Charles Mukora (Quênia), Sérgio Fantini (Chile) e David Sibandze (Suazilândia). Outros receberam sanções.
Com a imagem extremamente arranhada, o COI propôs e introduziu uma série de mudanças no processo de candidaturas olímpicas e em seu próprio modus operandi.
Limitou os presentes a seus membros, estabelecendo tetos de preços, restrição para mandatos de presidente e criou normas de transparência.
Seu presidente à época, o espanhol Juan Antonio Samaranch, que estava no poder desde 1980, decidiu não tentar novo mandato –o belga Jacques Rogge ascendeu à presidência em 2001, de onde só saiu em 2013.
O COI batalhou anos para resgatar sua credibilidade depois do escândalo, mas manteve os Jogos de Inverno de 2002 em Salt Lake City.
De certa forma, a polêmica também serviu para a entidade lançar em 2014 a Agenda 2020, pacote de 40 itens para modernizar e lhe tornar mais transparente.
Ainda assim, há desconfiança nos processos de candidatura. Talvez ela nunca se dissipe.
Como também não devem jamais se dissipar as ressalvas sobre tudo o que a Fifa executar.
]]>Não era muita coisa. Cerca de 200 m satisfariam as exigências do COI (Comitê Olímpico Internacional) e da federação internacional do esporte.
Mas esses quase 200 m não existem, e não podem mais ser criados. A Lagoa, por razões óbvias, não pode ser aumentada.
Aos organizadores, restou a opção de remover de lá as competições. Cogitaram remanejar o evento para outra parte da cidade, mas perderiam o “fator Lagoa” (para quem não conhece, é aquela que hospeda uma árvore de Natal gigante todo final de ano).
Confrontados com a situação, dirigentes e ex-atletas, alguns de muito renome no cenário mundial, defenderam a permanência dos eventos no local. E ganharam a disputa.
Remo e canoagem de velocidade, até segunda ordem, ficam na Lagoa Rodrigo de Freitas.
Mas e os 200 m? Ah, sim…
A organização da Rio-2016 já resolveu o problema. Vai recuar a largada das provas e pôr mecanismos para garantir a segurança dos competidores na linha de chegada.
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